Lideranças estaduais se reúnem com Valdemar Costa Neto e Bolsonaro para reforçar apoio a Wilder Morais, mas definição sobre candidatura segue em aberto

O senador e presidente estadual do PL em Goiás, Wilder Morais, e o deputado federal Gustavo Gayer reuniram lideranças do partido nesta quarta-feira (12) para demonstrar unidade da legenda no estado. O encontro, que contou com a participação de deputados estaduais, vereadores e prefeitos, teve como objetivo fortalecer a posição de Wilder para as eleições de 2026. As reuniões ocorreram no gabinete do senador, com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, e no escritório de Jair Bolsonaro, em Brasília.
Apesar do esforço para demonstrar coesão, participantes dos encontros ouvidos pelo jornal O Popular afirmaram que as conversas não trataram diretamente das pré-candidaturas de Wilder ao governo estadual e de Gayer ao Senado. O principal foco foi reafirmar o protagonismo do senador na estruturação do projeto bolsonarista em Goiás.
“A reunião com o presidente foi excelente. Nós fomos convidados pelo senador Wilder e pelo Gustavo Gayer para vir e a intenção foi demonstrar unidade e que o partido está coeso em torno do senador Wilder. Existe o projeto do Wilder para o governo e o projeto do Gayer para o Senado. Então, esses projetos geram uma convergência muito grande dentro do partido e a gente queria demonstrar essa unidade”, declarou o vereador por Goiânia, Oseias Varão.
A movimentação ocorreu poucos dias após Bolsonaro participar remotamente de um evento organizado pelo vereador e ex-vice-presidente regional do PL, Vitor Hugo, para o lançamento da “Frente de Vereadores de Direita”. Na ocasião, o ex-presidente brincou sobre a proximidade com o ex-deputado federal, sugerindo que seu vice poderia ser de Goiás.
O histórico de Vitor Hugo dentro do partido gerou atritos internos. Em novembro de 2024, ele organizou uma reunião entre Bolsonaro e o vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), em uma tentativa de aproximação para as eleições estaduais de 2026. A iniciativa ocorreu à revelia de Wilder Morais, que já se apresentava como pré-candidato ao governo. A ação resultou em ameaças de expulsão de Vitor Hugo e na sua remoção da vice-presidência do PL goiano.
Nos últimos meses, Bolsonaro deu sinais de que a decisão sobre os rumos do partido no estado não estaria exclusivamente nas mãos de Wilder. Em 23 de janeiro, o ex-presidente declarou que “não vai ter peixada” e que a escolha dos candidatos passaria por ele e por Valdemar Costa Neto. “Em Goiás, não é quem o presidente do estado quer. Wilder, não é quem você quer. Todo estado vai passar por mim e pelo Valdemar”, afirmou Bolsonaro.
Posteriormente, em entrevista à Rádio Bandeirantes, no dia 31 de janeiro, Bolsonaro voltou a considerar uma aliança do PL com o MDB de Daniel Vilela, declarando que a única restrição de alianças seria com o PT. “Não pode é com o PT. O resto, fique à vontade. Se tiver interesse do Caiado e do Wilder, da minha parte, não tem problema nenhum”, disse o ex-presidente.
Apesar da tentativa de Wilder de reforçar sua posição como líder do PL goiano, as conversas com Valdemar e Bolsonaro foram consideradas protocolares, sem que houvesse uma sinalização definitiva sobre o futuro da sigla no estado. O senador manteve silêncio sobre a questão e, em suas redes sociais, limitou-se a compartilhar imagens dos encontros com comitivas de 15 cidades.
Vale destacar que os prefeitos das três maiores cidades administradas pelo partido em Goiás — Márcio Correa (Anápolis), Simone Ribeiro (Formosa) e Geneilton Assis (Jataí) — não participaram da agenda em Brasília, o que pode indicar que ainda há desafios para consolidar a unidade desejada pelo senador.