Gayer chamou o vice-governador de ‘príncipe do sistema’ e aproveitou a legenda para dar uma indireta ao colega de partido Major Vitor Hugo. Disputa interna pode afetar planos de Gayer para o Senado em 2026

Em uma publicação feita ontem (17) em seu perfil do Instagram, o deputado federal Gustavo Gayer (PL), declarou que o vice-presidente Daniel Vilela, e filho de Maguito Vilela, “nunca trabalhou, e foi criado como um ‘príncipe do sistema’ para ser governador em Goiás”. Na legenda, ele também faz um ataque indireto ao vereador Major Vitor Hugo (PL), seu adversário dentro do partido: “Tem que ser muito podre pra querer entregar o PL para o príncipe do LULA em troca de apoio pessoal. Em Goiás não há a menor possibilidade da direita se juntar a um cara que pediu a prisão do Bolsonaro”, escreveu Gayer.
O tom agressivo da declaração contrasta com a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, ao longo dos últimos meses, tem demonstrado estar, no mínimo, aberto ao diálogo com o MDB goiano.
A questão que se coloca agora é: quem realmente define os rumos do PL em Goiás?
No final de 2024, Major Vitor Hugo foi duramente criticado por membros do partido ao intermediar uma reunião entre Bolsonaro e Daniel Vilela. Na ocasião, Bolsonaro deixou claro que queria conversar com diferentes atores políticos no estado, sinalizando que não via a aproximação com o MDB como um problema. Essa postura, no entanto, foi rechaçada por Gayer e pelo presidente estadual do PL, Wilder Morais, que insistem na candidatura própria da legenda para o governo, com Wilder à frente.
A discordância ficou ainda mais evidente durante uma live recente de Bolsonaro, na qual o ex-presidente declarou que “é ele e Valdemar Costa Neto quem decide o futuro do PL em Goiás”. Se Bolsonaro de fato está aberto à negociação com o MDB, como já demonstrou em encontros passados, até que ponto Gayer tem autonomia para rejeitar essa aliança de forma tão enfática?
O deputado estaria, na prática, desautorizando Bolsonaro ao declarar que o PL não se juntará ao MDB?
Além das disputas ideológicas, há um fator prático que pode estar pesando na postura de Gayer: a corrida pelo Senado. Ele já manifestou publicamente seu desejo de disputar uma das vagas de Goiás em 2026, mas uma aliança entre PL e MDB poderia reduzir ainda mais suas chances. Isso porque o MDB já tem um acordo firmado com o União Brasil, e uma das vagas ao Senado praticamente já está reservada para Gracinha Caiado, esposa do atual governador Ronaldo Caiado.
Dessa forma, se o PL realmente se unir ao MDB e o acordo incluir a indicação de um vice na chapa de Daniel Vilela, sobraria apenas uma vaga para o Senado a ser disputada dentro da aliança. E, nesse cenário, Gayer enfrentaria concorrência pesada, possivelmente sendo preterido dentro da própria legenda.
A postura de Gayer pode gerar um novo impasse interno. O PL, como qualquer partido, precisa avaliar sua viabilidade eleitoral e entender se uma candidatura isolada em 2026 realmente faz sentido. Se Bolsonaro decidir que um alinhamento com Daniel Vilela é a melhor estratégia para fortalecer a direita no estado, o que fará Gayer?
Essa disputa nos bastidores do PL goiano revela uma batalha não apenas entre Gayer e Vitor Hugo, mas também um possível desalinhamento entre o deputado e o próprio Bolsonaro. Com as eleições de 2026 se aproximando, a questão permanece em aberto: será Gayer capaz de sustentar sua posição até o fim, ou terá que se curvar à decisão final de Bolsonaro?