Ministério Público e nova diretoria apuram pagamentos milionários a fornecedores e servidores, incluindo R$ 6 milhões a um único escritório de advocacia

Os acordos extrajudiciais realizados pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), iniciados em fevereiro de 2023 e encerrados na atual gestão do prefeito Sandro Mabel (União Brasil), movimentaram mais de R$ 27,1 milhões. Os pagamentos beneficiaram fornecedores e servidores da estatal e agora são alvo de auditoria interna e de investigações conduzidas pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
Dentre os valores pagos, um montante expressivo de R$ 6 milhões foi destinado a um escritório de advocacia. Além disso, em um único dia, a companhia desembolsou quase R$ 2 milhões, incluindo três pagamentos individuais: R$ 336,1 mil para Edimar Ferreira da Silva e dois valores somando R$ 1,6 milhão para Marilia Rezende de Souza.
Somente em 2023, a estatal pagou R$ 16,1 milhões em acordos extrajudiciais trabalhistas. O documento obtido pela reportagem detalha quase 50 processos que estão sob análise dos órgãos de controle. A maior parte dos pagamentos ocorreu entre fevereiro e setembro de 2024, mas os primeiros acordos remontam a 2022, quando Leandro Cardoso Resende recebeu mais de R$ 1 milhão da companhia em três parcelas.
Prefeito anuncia medidas para controle de gastos
Ao comentar a situação da Comurg, o prefeito Sandro Mabel afirmou que a estatal busca alcançar maior eficiência por meio de medidas de austeridade. Durante a Assembleia Geral de acionistas da empresa, Mabel destacou que sua gestão está focada em reorganizar a companhia. “Não adianta mudar o nome da Comurg, é preciso mudar o jeito de agir da companhia. É o que estamos fazendo”, afirmou.
O prefeito também anunciou um aporte de R$ 190 milhões para o pagamento de aposentadorias de empregados. O recurso será acompanhado pelo MPGO e pelo TCM, que recomendaram a discriminação detalhada dos valores. Embora a medida não dependa da aprovação da Câmara Municipal, Mabel pretende apresentar os dados ao Legislativo.
Demissões e cortes reduzem custos da estatal
A nova gestão implementou uma série de cortes para reduzir os custos operacionais da Comurg. Segundo a prefeitura, a folha salarial teve uma redução de R$ 6,6 milhões em janeiro deste ano, chegando a uma economia de R$ 13 milhões em comparação ao início de 2024. As medidas incluíram a demissão de 412 comissionados, a supressão de cargos de chefia e a revisão de quinquênios, conforme determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Além disso, 33 empregados públicos foram afastados preventivamente por 60 dias, com possibilidade de prorrogação, devido a indícios de irregularidades nos acordos extrajudiciais firmados. Segundo análise preliminar da assessoria jurídica da empresa, as negociações ocorreram de forma acelerada e podem ter burlado o regime constitucional dos precatórios, que exige pagamento rigorosamente por ordem de inscrição.
A reportagem tentou contato com os citados, incluindo o escritório de advocacia que recebeu R$ 6 milhões, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestações.