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Bolsonaro admite erros em seu governo e afirma que “se pudesse voltar no tempo, teria escolhido ministros mais “parrudos” e “casca grossa”

Ex-presidente reflete sobre desafios enfrentados e revela traumas da presidência em entrevista

Bolsonaro: “Como é que você acha que eu acordo todo dia? Com a sensação da PF na porta. Qual a acusação? Não interessa” – (crédito: Evaristo Sa/AFP)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (22) que, se pudesse voltar no tempo, teria escolhido ministros mais “parrudos” e “casca grossa” para os ministérios palacianos de seu governo, em vez de generais. Segundo Bolsonaro, a gestão enfrentou dificuldades devido à falta de “competência” e “malícia” para lidar com o que chamou de “sistema”.

“O sistema tá forte, tá aí. Faltou competência para nós, malícia. Você me pergunta o que eu faria diferente. Os ministros palacianos seriam diferentes. Eu não teria mais alguns nomes, um general ali. Eu não teria mais general ali. Teria ministro mais parrudo, mais casca grossa, para enfrentar o sistema”, declarou durante entrevista ao canal bolsonarista Fio Diário.

Os ministérios chamados palacianos incluem a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a Secretaria-Geral e a Secretaria de Governo, todos situados no Palácio do Planalto. Durante o governo Bolsonaro, essas pastas foram ocupadas por generais como Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Santos Cruz e Luiz Eduardo Ramos. Braga Netto e Heleno estão atualmente sob investigação por suspeitas de envolvimento em uma trama golpista no final de 2022.

A autocrítica de Bolsonaro ocorre após a Polícia Federal indiciar 28 militares por participação em planos para abolir o Estado Democrático de Direito e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente também é investigado como líder da organização criminosa.

Reflexões sobre o golpe e traumas da presidência

Na mesma entrevista, Bolsonaro afirmou que seria “fácil” dar um golpe em 2022, mas que as consequências no “day after” o impediram de agir fora das “quatro linhas” da Constituição.

“O que eu poderia fazer fora das quatro linhas? Diga. Ponto final. Fazer besteira? É fácil. Eu quero ver o after day, o dia seguinte. (Com) a idade que eu tenho, a experiência que eu tinha de 28 anos de parlamento, 15 de Exército e três na Presidência, a gente sabe o que se pode fazer, a gente sabe das consequências”, afirmou.

Bolsonaro também revelou os impactos psicológicos que a passagem pela presidência lhe causou. Segundo ele, a experiência lhe deixou traumas, incluindo o receio constante de investigações.

“Eu digo e alguns até reclamam: não é fácil a vida de presidente. (Perguntam) ‘se é tão difícil, por que tu quer ir pra lá?’. Porque eu quero ajudar o meu país. Como é que você acha que eu acordo todo dia? Com a sensação da PF na porta! Qual a acusação? Não interessa”, desabafou.

Críticas ao sistema eleitoral

Outra pauta recorrente nas entrevistas de Bolsonaro tem sido sua derrota em 2022. Ele voltou a criticar o sistema eleitoral brasileiro, defendendo um modelo similar ao venezuelano, com voto impresso. A afirmação contrasta com a postura crítica que o ex-presidente manteve em relação à Venezuela durante seu mandato.

“Hoje, nós clamamos aqui por um sistema eleitoral semelhante ao da Venezuela. (…) Só o Brasil e mais dois países insignificantes têm isso daí”, disse, referindo-se à urna eletrônica. Bolsonaro também afirmou que é perseguido pelo Judiciário e que não pode mais declarar publicamente que houve fraudes no sistema eleitoral brasileiro.

As declarações de Bolsonaro reforçam a postura de confronto com as instituições democráticas e colocam luz sobre os desafios enfrentados durante sua gestão, além de apontarem para uma possível revisão estratégica dentro de seu grupo político.

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