Declarações de Gilberto Kassab sobre o governo Lula e a economia acendem alerta no Planalto e levantam especulações sobre o futuro da legenda em 2026

A pouco mais de um ano para o início da corrida eleitoral de 2026, o movimento dos líderes políticos brasileiros têm sido observado com intensidade e gerado diversas interpretações. As recentes críticas do presidente do PSD, Gilberto Kassab, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, movimentaram os bastidores tanto da situação quanto da oposição.
Durante um evento em São Paulo nesta semana, Kassab afirmou que os partidos de centro estão “criando uma alternativa para 2026”. Ele declarou: “Se fosse hoje, o PT não estaria na condição de favorito. Eles perderiam a eleição”.
Além disso, Kassab, que é secretário do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), não poupou críticas à gestão de Haddad, chefe da equipe econômica de Lula. Ele comparou Haddad a ex-ministros da Fazenda, afirmando: “O sucesso da economia precisa de ministros da Economia fortes. Já tivemos FHC, Henrique Meirelles, Paulo Guedes. Eles comandavam. Hoje existe uma dificuldade do ministro Haddad de comandar. Haddad não consegue se impor no governo. Um ministro da Economia fraco é sempre um péssimo indicativo”.
As críticas ácidas de Kassab foram recebidas de diferentes formas. No Planalto, as declarações acenderam um alerta na alta cúpula do governo. A avaliação é que o presidente do PSD pode estar sinalizando que o apoio à reeleição de Lula está longe de ser garantido e, caso aconteça, terá um custo elevado.
Já a oposição ao governo entende que as críticas foram estratégicas e não refletem um afastamento de Kassab da gestão petista. Interlocutores do grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enxergam o movimento como uma pressão para obtenção de mais cargos ministeriais. Lula ensaia uma reforma ministerial desde o fim do ano passado, e as principais siglas de centro seriam as principais beneficiadas, com uma maior representatividade no Poder Executivo.
Ademais, a oposição a Lula comenta que as críticas do presidente do PSD a Haddad são uma tentativa do dirigente e representante do Centrão de se aproximar mais de siglas de centro-direita – o que é visto com desconfiança pela ala bolsonarista, já que o ex-presidente e seus aliados não enxergam Kassab como um político genuinamente à direita.
Outra possibilidade é que Kassab tentará emplacar Tarcísio para a disputa pela Presidência da República. Próximo do governador de São Paulo, o mandatário do PSD prevê dois caminhos: ser candidato ao governo de São Paulo, enquanto apoia Tarcísio para a presidência, ou, o mais provável, ser o vice na chapa encabeçada por Tarcísio na disputa por São Paulo – e, quem sabe, lançar o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), na disputa pelo Planalto. Para preparar o terreno e ser aceito pelo eleitorado de Tarcísio, o dirigente de centro precisa se afastar de Lula e se aproximar cada vez mais de partidos e líderes à direita.
Em suma, Kassab possui um leque imenso de oportunidades. O apoio do PSD será crucial nas disputas eleitorais do próximo ano. A legenda é a maior bancada no Senado Federal, com 15 senadores; a quinta maior bancada da Câmara dos Deputados, com 44 deputados; e possui 887 prefeituras sob seu comando, mais do que qualquer outro partido.