Aumento de tarifas e sanções podem impactar superávit comercial e setores do agronegócio no estado

Após a posse de Donald Trump para seu segundo mandato em 20 de janeiro de 2025, declarações e ações do presidente dos Estados Unidos têm gerado preocupações no cenário internacional. Uma afirmação em particular chamou a atenção, na qual Trump declarou que os Estados Unidos não necessitam de parcerias com o Brasil e outros países da América Latina. Essa postura levanta a possibilidade de sanções econômicas ou aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, o que poderia afetar significativamente a economia de Goiás.
De acordo com a Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), em 2024, as exportações goianas totalizaram US$ 12,2 bilhões, enquanto as importações foram de US$ 5,6 bilhões, resultando em um superávit de US$ 6,6 bilhões. Produtos como soja, milho, carnes e minérios, que têm grande participação nas exportações do estado, estariam entre os mais impactados.
IMPACTO NO AGRONEGÓCIO
Kaumer Nascimento, sócio-diretor da consultoria Santa Dica, alerta que municípios goianos ligados ao agronegócio podem sofrer impactos diretos. A redução nas exportações desses produtos pode afetar o consumo, os investimentos, o comércio e os serviços no estado, atingindo também a população local.
Além disso, uma possível mudança na política comercial dos Estados Unidos em relação à China pode ter consequências para as exportações de Goiás. Caso os EUA aumentem a taxação sobre produtos chineses, a demanda por commodities brasileiras pode ser afetada, já que a China é um importante mercado para itens agrícolas.
Atualmente, não há estratégias claras do governo ou do setor privado goiano para lidar com essa situação. No entanto, Nascimento sugere que uma alternativa seria redirecionar as exportações para outros países que compram as mesmas commodities que os Estados Unidos. A China, por exemplo, poderia aumentar suas compras do Brasil caso as tarifas norte-americanas subam. Embora os Estados Unidos sejam um dos dez principais destinos das exportações goianas, países como a China, o Reino Unido e a Alemanha já desempenham um papel relevante nas transações comerciais do estado.
Segundo o especialista, caso as tarifas dos EUA aumentem, é possível que países membros do BRICS, que hoje importam produtos dos Estados Unidos, passem a adquirir mais produtos brasileiros, como soja e outras commodities. Goiás, com sua forte presença no agronegócio, pode se beneficiar de uma mudança nas dinâmicas do comércio global, ampliando suas exportações para esses países.