Parlamentar alega perseguição política e nega autenticidade de vídeo divulgado nas redes sociais

O deputado federal Professor Alcides (sem partido) anunciou sua desfiliação do PL na terça-feira (28), afirmando que a decisão foi tomada para que ele possa se dedicar integralmente à sua defesa. O parlamentar é alvo de uma acusação de envolvimento sexual com um adolescente, após a mãe do jovem registrar uma denúncia contra ele. Um suposto vídeo íntimo teria sido divulgado nas redes sociais, mas Alcides nega a autenticidade das imagens e alega perseguição política.
“Tenho sido vítima de mentiras e de ataques baseados em montagens de imagens e de vídeos falsos, criados com o uso de tecnologias sofisticadas em uma clara tentativa de manchar a minha trajetória e honra”, declarou o deputado em suas redes sociais.
Apesar da saída do partido, o parlamentar afirmou que continuará exercendo seu mandato normalmente. “Esta decisão não significa renúncia à minha militância política (…). Continuo exercendo o meu mandato com a mesma seriedade de sempre, fiel à confiança dos milhares de eleitores que represento”, disse.
Em nota oficial, a assessoria do deputado reforçou que a desfiliação foi uma escolha pessoal e que o PL acatou a decisão. O advogado do partido em Goiás, Leonardo Batista, afirmou que a legenda decidiu liberar Alcides “em respeito ao professor” e sem entrar em detalhes sobre o caso. Ele também informou que teve acesso às imagens que circulam na internet, mas que, por elas, não é possível afirmar se realmente se trata do deputado.
Entenda a denúncia
A mãe do adolescente denunciou à polícia que seu filho teria tido envolvimento com o deputado federal em outubro de 2021, quando tinha 13 anos. Segundo ela, o jovem e outros garotos participaram de uma seleção para um time de futebol sub-16 na casa de Alcides, que já foi dirigente e patrocinador do clube. Ela afirma que o parlamentar teria pedido para o filho permanecer na casa enquanto os demais seguiam para o campo de treinamento.
A mulher relatou que o adolescente contou ter sido beijado e tocado pelo deputado. Posteriormente, em uma segunda visita à casa de Alcides, o jovem teria tido “conjunção carnal” com o parlamentar.
O caso ganhou repercussão após a mãe do adolescente registrar um boletim de ocorrência relatando que o filho foi ameaçado com uma arma de fogo e teve o celular roubado por seguranças de Alcides. A polícia cumpriu mandados de prisão contra três assessores do deputado suspeitos de envolvimento no crime.
Investigação e defesa
A Polícia Civil acredita que os suspeitos queriam apagar arquivos do celular do adolescente que poderiam comprovar o envolvimento do deputado com o jovem. Segundo as investigações, em novembro de 2024, os três assessores foram até a casa do garoto, ameaçaram-no e levaram o aparelho.
A defesa de um dos assessores presos, que é policial militar, nega as acusações e afirma que a inocência dele será provada em juízo. O advogado do militar, Clécio Teles, declarou que há falhas no inquérito policial que serão contestadas.
Alcides se manifesta sobre sua sexualidade
Diante da repercussão do caso, o deputado federal publicou uma carta em que assumiu sua homossexualidade e afirmou estar sendo alvo de preconceito e homofobia. “Deploro a utilização preconceituosa, mesquinha e criminosa de minha pública orientação sexual como arma política”, disse.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil de Goiás, que ainda não divulgou novas informações sobre o andamento do inquérito.
Assista o vídeo: