Prefeito defende aval e reforça a necessidade de reconhecer dívida acumulada de R$ 4 bilhões

Após o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) rejeitar, na segunda-feira (20), o pedido de decreto de calamidade na Secretaria Municipal da Fazenda, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), anunciou que irá recorrer da decisão. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (21), Mabel pediu “compreensão” e destacou que a dívida acumulada da capital é de R$ 4 bilhões, embora os relatórios oficiais de 2024 considerem apenas R$ 300 milhões.
“Nós estamos levando mais documentação e mostrando a necessidade. O TCM diz que Goiânia tem capacidade de endividamento. Sim, de endividamento, temos. Para fazer financiamento, buscar dinheiro e pagar a longo prazo. Agora, nós não temos capacidade de pagamento para R$ 4 bilhões que estão vencidos”, afirmou o prefeito.
Rejeição e críticas
Na decisão, os deputados estaduais seguiram o parecer do TCM, que apontou a falta de documentação suficiente para justificar a medida. O líder do governo na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), deputado Talles Barreto (UB), declarou que é necessário mais embasamento. “Como vamos aprovar um decreto de calamidade se não tem documentação suficiente justificando o motivo? Aqui nós não podemos ter paixões partidárias e políticas”, disse.
O relator do pedido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Lincoln Tejota (UB), também pediu mais “segurança” para a avaliação. O debate sobre a situação financeira da capital só deverá ser retomado após o início das sessões ordinárias, previsto para 15 de fevereiro.
Mabel reforça austeridade
Diante da negativa, Mabel garantiu que continuará adotando medidas emergenciais para conter os gastos municipais. “Cortamos despesas todos os dias em um aperto danado. Esperamos que tenha compreensão por parte da Assembleia”, destacou. Entre as ações citadas estão cortes de gratificações, revisão de atestados médicos e intervenções na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
O prefeito também mencionou que a Prefeitura está entregando novos documentos ao TCM para comprovar a existência das dívidas. “Muitas estão contabilmente no limbo, mas existem. O TCM precisa reconhecer isso”, reforçou.
Em paralelo, Mabel participou de reunião com a primeira-dama do Estado, Gracinha Caiado, para discutir parcerias destinadas ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade na capital.