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Vereadores discutem antecipação da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Goiânia

Debate surge menos de um mês após a reeleição de Romário Policarpo e divide opiniões sobre estratégia e legalidade

Henrique Alves (MDB): cogitado para sucessão de Romário Policarpo

Menos de um mês após a reeleição unânime de Romário Policarpo (PRD) para o quarto mandato consecutivo na presidência da Câmara Municipal de Goiânia, um grupo de vereadores já articula a possibilidade de antecipar a eleição da próxima Mesa Diretora, originalmente prevista para 2026. A proposta, que ganha força em meio ao início da gestão do prefeito Sandro Mabel (UB) e a um cenário de estabilidade política, reflete tanto interesses estratégicos quanto preocupações jurídicas.

O debate sobre a antecipação

A antecipação do pleito tem dividido os parlamentares. De um lado, vereadores defendem que o processo ocorra entre março e abril deste ano, aproveitando o ambiente político favorável. Por outro, uma ala mais cautelosa alerta para possíveis implicações legais, apontando que, segundo decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal (STF), eleições desse tipo só podem ser antecipadas com um intervalo máximo de um ano antes do início do mandato.

Um exemplo citado no debate foi a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) em 2023, que precisou ser refeita após questionamentos da Procuradoria-Geral da República. “Tanto que o Bruno [Peixoto] teve que fazer nova eleição na Alego”, lembrou um vereador em mensagens trocadas em grupos de WhatsApp.

A decisão de antecipar o pleito passa diretamente por Policarpo, que precisará liderar a aprovação de um projeto de resolução para viabilizar a mudança. Nos bastidores, aliados afirmam que ele ainda está avaliando o cenário. “Ele está tentando encontrar a distância correta do assunto antes de se posicionar”, revelou uma fonte próxima ao presidente da Câmara.

O interesse do MDB e as movimentações políticas

O MDB, que possui a maior bancada na Casa com oito vereadores, tem demonstrado interesse em assumir a presidência no biênio 2027-2028. Em janeiro deste ano, o partido abriu mão de lançar uma candidatura própria e optou por apoiar Policarpo, consolidando o alinhamento com o prefeito Mabel. Em troca, o MDB garantiu posições estratégicas na Mesa Diretora, como a 1ª secretaria, ocupada por Henrique Alves.

Nos bastidores, o partido avalia que a antecipação pode ser uma oportunidade de pavimentar o caminho para assumir a liderança na Câmara. Entretanto, o presidente do diretório metropolitano do MDB, Andrey Azeredo, afirmou que o tema ainda não foi discutido formalmente no partido. Ele destacou que qualquer movimento precisará da “anuência” de Mabel.

A possibilidade de antecipação também tem ligação com o contexto político estadual. Em 2026, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) assumirá o governo, com a provável saída de Ronaldo Caiado (UB) para disputar a Presidência da República. Para alguns vereadores, adiantar o pleito evitaria que Daniel exercesse influência mais significativa nas articulações para a presidência da Câmara.

Precedentes e desafios legais

Caso a antecipação se concretize, será a segunda vez em três anos que a Câmara Municipal antecipa a eleição da Mesa Diretora. Em 2021, Policarpo liderou um movimento semelhante, alterando o regimento interno para garantir sua reeleição para o biênio 2023-2024. Na época, a decisão foi questionada judicialmente, mas considerada válida pelo STF.

O advogado especialista em direito eleitoral Júlio Meirelles explicou que a antecipação de eleições em casas legislativas deve respeitar o regimento interno, mas pode ser alvo de questionamentos jurídicos. “A antecipação não é inédita, mas precisa ser fundamentada e respeitar as regras internas. Caso contrário, pode gerar contestações”, afirmou.

Resistências internas

Enquanto as articulações avançam, vozes experientes da Câmara manifestam preocupação com o impacto do movimento. O vereador Anselmo Pereira (MDB), decano da Casa, classificou a antecipação como “desnecessária” no atual momento. Para ele, iniciar uma disputa tão cedo, logo após a reeleição de Policarpo e no início da gestão de Mabel, pode gerar divisões desnecessárias. “Eu aconselharia, como um dos mais antigos, a não fazer isso agora”, afirmou.

Próximos passos

Embora ainda esteja em fase inicial, a proposta de antecipação já provoca intensos debates na Câmara e entre lideranças políticas de Goiânia. A definição da data dependerá das articulações de Policarpo e do apoio dos vereadores para viabilizar as mudanças no regimento interno.

O desfecho também dependerá da posição do prefeito Mabel, que, até o momento, tem adotado cautela. “Deixe eles [os vereadores] informarem a ideia e aí vamos entender o porquê disso”, declarou o prefeito ao ser questionado.

Com antecedentes marcantes na Câmara de Goiânia e na Alego, o debate sobre a antecipação da eleição da Mesa Diretora promete movimentar o cenário político local nos próximos meses.

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